Os dois dias passaram a correr. A ansiedade tomava conta de mim e eu só queria voltar a segurar a minha menina nos meus braços. A verdade é que estas semanas sem ela foram dolorosas e eu não queria negligenciar Anita. Eu e Tiago saímos de casa juntamente com Anita e dirigimo-nos para o hospital com um sorriso de orelha a orelha. Porém, sentia que algo não estava bem. Sentia o meu coração a apertar cada vez mais à medida que nos aproximávamos do hospital e receava que o mundo voltasse todo a desabar à minha volta. Eu e Tiago esperávamos as melhoras da menina para começarmos a preparar o nosso casamento, seria um passo tão especial para nós e para a
nossa família... Entrei no hospital reticente, não sabia o que iria ouvir, o que deveria esperar. Tiago sentou-se com Anita enquanto eu me dirigi à recepção perguntando pela doutora que estava a tratar de Ariana. Foi-me dito que dentro de momentos ela se encontraria ali para falar connosco. O meu coração começou a acelerar e eu senti um arrepio a percorrer o meu corpo. Sentei-me ao lado de Tiago, muito hirta. Preocupada.
- O que é que se passa amor, estás bem? Pareces pálida.
- Desculpa querido, é que... tenho um pressentimento estranho. Receio que algo corra mal e que não possamos levar a menina para casa hoje.
- Oh princesa, é natural que te sintas assim, é a nossa bebé. Talvez te estejas a preocupar em vão. Dentro de momentos a doutora estará aqui e verás que não vão haver quaisquer entraves. - Fiquei calada. As palavras dele haviam acalmado levemente o meu coração e respirei de alivio, permitindo-me relaxar um pouco. Porém, não deixei que a preocupação cessasse. Vi a doutora a aproximar-se pelo nosso lado direito. Acho que, de certa forma, entrei em pânico.
- Leonor, Tiago podem-me acompanhar por favor. - Eu estava tão aterrorizada que nem respondi.
- Claro doutora - disse Tiago pacificamente.
Percorremos novamente aqueles corredores neutros. Espreitem pela janela e, inocentemente, soltei um suspiro de alívio. Ariana estava deitada numa pequena cama. As máquinas tinham sido retiradas o que significava que ela já era capaz de respirar sozinha. Eu e Tiago olhamo-nos nos olhos e formamos um sorriso alegre.
- Ela está óptima e pronta para voltar a casa. Teremos que marcar consulta para daqui a um mês, aproximadamente, para nos certificarmos de que está tudo a correr como previsto.
- Oh doutora, muito obrigado pelo seu empenho. Podemos leva-la já? - perguntei entusiasmada.
- Podem sim. Se quiserem trocar-lhe a roupinha estão a vontade. Vou deixar a alta na recepção, depois passem lá para leva-la.
- Com certeza doutora. Muito obrigado mais uma vez - disse Tiago com os olhos a brilhar de felicidade.
Vesti Ariana com um vestido cor-de-rosa igual ao de Anita. Agora a nossa família estava completa, nós os quatro, juntos novamente. Fomos a pé para casa. O caminho foi percorrido calmamente e em harmonia. Estavamos felizes, sentiamo-nos descansados e completos.
- O que achas de irmos passear com as meninas no parque? - perguntou Tiago entusiasmado.
- Acho uma ideia maravilhosa!
Continua...