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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #21


Em menos de nada dois meses se passaram e estava na altura da ecografia. Este mês irei saber se é menino ou menina, não podia estar mais entusiasmada. Infelizmente o Tiago não poderá vir comigo este mês por causa do trabalho mas tem-me acompanhado sempre a todas as consultas, exames e ecografias. Acordei cedo e fui tomar um duche, a água quente sempre teve um efeito calmante em mim. Olhei para a minha barriga enquanto a água caía sobre o meu corpo, estava tão grande e o meu filhote estava entusiasmado, acho que gostava da sensação da água tanto quanto eu. Vesti umas leggins pretas e uma túnica branca com umas sabrinas confortáveis; o Verão havia chegado com todo o seu poder e calor. Saí de casa e meti-me no carro; rapidamente liguei o ar condicionado pois aquele calor enjoava-me imenso. Em dez minutos cheguei a maternidade; dirigi-me ao balcão para assinalar a minha presença e sentei-me na sala de espera a acarinhar a minha barriga. Mais tarde o Tiago viria ter comigo e eu sabia exactamente como lhe iria contar. Os nomes já estavam escolhidos. Se fosse menina seria Margarida, se fosse menino seria Afonso. Sentia o meu coração pulsar forte e os pontapés não paravam nem por um segundo. Ouvi o meu nome ser chamado pelos altifalantes e levantei-me dirigindo-me ao corredor que me levaria à porta do consultório. Ao chegar ao corredor possuia visibilidade para a porta da entrada; qual é o meu espanto quando vejo o Tiago a correr a meu encontro e a abraçar-me carinhosamente deixando um leve beijo na minha testa.

Amor? Que fazes aqui?
Não podia abdicar de vocês, hoje é um dia importante - retorquiu.

A surpresa que lhe faria estava arruinada mas era mais importante para mim que ele estivesse presente. Peguei na mão dele e coloquei-a sobre a minha barriga; ele sempre ficara fascinado com a força que o nosso bebé exercia com os seus pézinhos pequeninos. Sentei-me na cadeira em frente ao consultório esperando a chamada da médica. Tiago ajoelhou-se à minha frente e encostou o seu ouvido à minha barriga cantando baixinho para o nosso filhote. Sempre que ele o fazia os pontapézinhos acalmavam, era como se o bebé adormecesse ao som da sua voz. Entramos na sala e deitei-me sobre a marquesa tal como a médica havia pedido. Tiago sentou-se ao meu lado num pequeno banco de madeira segurando ansiosamente a minha mão. A médica colocou o gel frio sobre a minha barriga e senti um arrepio. Enquanto ela fazia o exame eu sofria ansiosamente por uma resposta.

Dra., já nos pode dizer se é menino ou menina?
Já posso sim Leonor, está bem à vista.

Tanto eu como o Tiago queriamos uma menina, mas o importante mesmo era que fosse saudável e perfeitinho independentemente do sexo. Quando a médica falou, não poderiamos ficar mais surpreendidos. Os nossos olhos quase sairam da órbita e olhamos um para o outro com um sorriso escancarado no rosto; não podiamos acreditar...

Continua...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sussurro ao mar #20


Eu não queria que aquele momento terminasse, nunca. Não queria sair do calor protector do seu abraço, não queria perder contacto com a sua pele nem com os seus lábios. O sol nascia e a claridade entrava pela janela que ele se esquecera de fechar; nunca fui boa a dormir com luz. Esfreguei os olhos devagar para que fosse capaz de abri-los. Virei-me para ele e abracei-o forte; o seu sono ainda era profundo e não quis acordá-lo - fiquei a olhar para o seu rosto angelical e perfeito. Todas as suas feições me deixavam estonteada. Aqueles lábios vermelhos eram a minha perdição, o meu pedaço de mau caminho! Passei o meu dedo levemente por aqueles lábios tão bem delineados; a vontade de os beijar era superior e não fui capaz de negar a sensação. Os meus lábios aproximavam-se dos dele permitindo que eu sentisse a sua respiração no meu pescoço; essa sensação deixava-me arrepiada. Ao de leve os meus lábios tocaram nos dele fazendo com que o meu corpo fosse coberto por um misto de sensações. Não queria parar; queria ser correspondida, mas ao mesmo tempo não queria acorda-lo, queria permitir-lhe descansar calmamente, sem pressas... Finalmente ganho as forças necessárias para afastar os nossos lábios. Fico resplandecente a olhar para ele e comentando para mim mesma Eu Amo-o tanto. Não me tinha apercebido que o tinha dito em voz alta e ele soltou um pequeno sorriso quase desapercebido e puxou o meu corpo para o seu. Abriu os olhos:

Bom dia meu Amor...

Sorri encantada por aquele sorriso, pelo brilho de amor que lhe saltava dos olhos, pelo seu toque impaciente... Ficamos tão perto que os nossos coração batiam aligeirados um contra o outro.

O teu coração está descompassado amor - disse ele.

Esbocei um leve sorriso e disse: Ele bate por ti, unicamente por ti!
Ele sorriu de volta e abraçou-me. Sussurrei-lhe ao ouvido um pedido de desculpa por o teu acordado. Ele sussurrou de volta: Eu Amo-te Princesa! Ficamos o resto da manhã deitados na cama, a conversar... Os beijos surgiam espontaneamente e o Amor pairava no ar, como sempre; desde sempre...

Continua...

domingo, 30 de janeiro de 2011

Desafio #2

Ontem uma pequena conversa com o namorado deu-me uma ideia para um novo desafio :')
Então estavamos a falar da nossa história de Amor, do quanto ela era bonita e do quanto ultrapassamos para ficarmos juntos.

Então desafio-vos a escreverem a vossa história de Amor, aquela que mais vos marcou e que ainda hoje faz parte dos vossos corações.
Quem não tiver uma história verídica ou se não quiser contá-la poderá ser totalmente ficticia.
O objectivo do desafio não é qualquer tipo de prémio mas sim fazer-vos refletir e dar a conhecer a outras pessoas o que é o Amor verdadeiro e o que é que ele significa (não se vê logo que vou ser psicologa? hehe)

Bem... Para participar as condições serão as mesmas do desafio anterior:
Basta enviarem a vossa historia para breves_suspiros@live.com.pt com o vosso nome e o vosso blog.

Talvez mais tarde coloque um selo para que todos os participantes possam levar e...

Bons Suspiros!

Aqui está ele...


Sussurro ao mar #19


Como eu não queria ir para minha casa voltamos para casa do Tiago. A viagem era longa e desta vez deixei-o conduzir porque sabia que o cansaço começaria a pesar sobre os meus olhos. Ele pousou a sua mão na minha que estava suavemente colocada sobre a minha perna tirando-a apenas quando tinha de trocar as mudanças. O calor da sua pele tranquilizava-me; fazia-me sentir segura e protegida; dava-me força! Quando dei conta no horizonte a casa dele começava a tomar forma e o meu alívio era grande ao saber que dentro de breves minutos estarei a repousar sobre uma cama suave e macia enrolada nos seus braços e protegida pelo seu amor. Sempre dei muita importância ao sentir-me segura e protegida; ele tinha ambos os efeitos em mim. Ao ver como eu me encontrava despromovida de forças tirou-me do carro e depois de o fechar pegou em mim ao colo. Abriu o portão e de seguida a porta. Subiu as escadas sem o menor esforço pelo peso que carregava. Entrou no quarto e pousou-me levemente na sua enorme cama de casal. Voltou-se para fechar a porta e tirou-me a roupa cobrindo assim o meu corpo com os lençois. Despiu-se e deitou-se a meu lado. A sua pele quente contra a minha dava-me uma sensação segura e descançada. Colocou o braço de forma a envolver o meu corpo e chegou-me para ele de tal forma que conseguia sentir o seu coração bater ferozmente nas minhas costas. Eu sempre soube o quanto ele me amava e nunca tive dúvidas de que seria eterno! Em momentos breves o sono tomou conta da minha alma e a profundeza que atingia dava-me um descanso pleno. Sei que ele ficou a olhar para mim com o carinho que transportava em seu coração; sentia os seus olhos postos em mim apesar da profundidade do meu sono; apesar de estar a ser observada sentia-me confortável. Ele acabou por cair no sono e não me largou a noite toda...

Continua...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sussurro ao mar #18


De um momento para o outra via-me embrenhada num sonho de onde queria fugir... A escuridão cobria tudo e o Tiago não estava lá. Sentia uma perda que me arrasava o coração e sentia-me incapaz de lutar. Eu chamava por ele, gritava... mas a escuridão apenas me envolvia mais! Levemente senti um pequeno toque na barriga, uma emoção arrepiou pelo meu corpo acima. Olhei e vi a minha barriga enorme; coloquei a minha mão e comecei a massajar; «ela» também estava nervosa. As lágrimas caíam com o desespero, as forças começavam a faltar e eu sentia-me a fraquejar. Corria de um lado para outro, sentia-me enclausurada, claustrofóbica e não conseguia sair dali. Aquele que era um nervoso miudinho tornara-se numa grande aflição, o desespero aumentava e quando menos esperei senti uma dor aguçada no fundo da barriga. Quando olhei para baixo vi o sangue que escorria das minhas pernas; o meu choro intensificou-se e deixei-me cair agarrada à barriga sussurrando sem parar : "Não, por favor, não!". Gritei exasperada; e acordei com esse mesmo grito. Tiago levantou-se assustado e a preocupação estava exposta no seu rosto.

Amor, estás bem?
Foi só um pesadelo - respondi - têm sido muitos ultimamente.
É normal amor, segundo o que dizem. Deve ser de andares mais sensível; mas não te preocupes, eu estou aqui contigo - retorquiu.

Abracei-o bem forte, sentir a sua presença e o seu corpo bem perto do meu acalmavam-me e relaxavam-me, fazendo com que me esquecesse de tudo aquilo que me perturbava. Beijei-o apaixonadamente e ficamos assim o resto da noite vendo, com o passar do tempo, as estrelas surgirem num céu calmo e claro onde abundava a magia...

Continua...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sussuro ao mar #17


O toque dele arrepiava-me... O seu cheiro exótico aumentava o meu desejo. Aos poucos a minha roupa ia ficando espalhada por aquele campo adquirindo o maravilhoso cheiro da alfazema. Ele puxou a minha camisola lentamente até poder olhar para a minha pele. Os olhos dele brilhavam a cada toque. Beijou-me a clavicula e foi subindo até ao pescoço, tirando lentamente a alça do soutien que repousava sobre o meu ombro. O beijo prolongou-se até aos meus lábios e senti os seus braços envolverem-me e com um pequeno click o meu soutien caiu! Retirei-lhe a camisa para que fosse capaz de sentir a sua pele na minha enquanto um arrepio subia pela minha espinha. Os beijos intensificavam-se a cada toque, a cada emergir de desejo... O suor começou a surgir aos poucos, a minhas unhas cravavam-se nele lentamente e em breve o nosso prazer chegaria ao fim... Deitei-me sobre o teu peito ouvindo o bater forte, acelarado e descompassado do seu coração. A minha mão vagueava entre o seu peito e a sua barriga; ele beijava-me os cabelos e passava carinhosamente a mão pelas minhas costas despidas. O cansaço tomou conta de nós e acabamos por adormecer bem juntinhos um ao outro; eu só não esperava que voltasse a acontecer outra vez...

Continua...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sussurro ao mar #16


Olhei para ele com o Amor a fluir do meu olhar... Queria dizer tudo o que sentia, mas não era capaz de o descrever, não existem palavras no mundo para que consiga fazê-lo. Segurei a mão dele, sorri-lhe carinhosamente e saímos do carro. Percorremos um pequeno caminho de terra por entre as árvores que possuiam centenas de anos. O cheiro da natureza sempre me havia encantado, acalmado e relaxado... Seria o local perfeito para lhe contar a novidade... Depois de percorridos alguns metros chegamos a uma grande clareira onde abundavam as flores. Aquele cheiro maravilhoso entrava pelos meus pulmões irradiando felicidade. Olhei para ele na tentativa de ver no seu rosto as emoções que o seu coração possuía. Os olhos dele brilhavam com intensidade, ele olhou para mim, sorriu e deu-me a mão. A sua pele suave possuía um toque quente e arrepiante. Não me queria relembrar que quase o tinha perdido, não queria imaginar a minha vida sem ele ou sem o seu amor... Caminhamos no meio das flores e no chão estendi a pequena manta azadrezava e vermelha que havia comprado à pouco. Sentamo-nos. As minhas pernas entrelaçaram-se no seu corpo e abracei-o dando-lhe um leve beijo no pescoço; senti o arrepio dele.

Amor, tenho algo muito importante para te contar.

A sua expressão alterou-se e eu podia dizer que ele estava preocupado...

Tem calma - disse-lhe - não é nada de mau.

Ele sorriu-me tranquilamente e segurou a minha mão junto ao seu peito. Comecei a falar calmamente:

Lá no hospital descobriram uma coisa. Eu não estava à espera, e não sabia o que pensar devido à situação em que estavas. Eu não sabia nada de ti, e estava preocupada, tinha medo; muito medo.

Ele abraçou-me cuidadosamente com medo que eu me partisse como uma boneca de porcelana e falou-me:

Fofinha, agora estou aqui contigo e nada nem ninguém nos vai separar. Mas diz-me o que se passa; sei que passas-te um momento dificil, mas estás-me a deixar preocupado! O que é que se passa Amor?

Peguei na mão dele e pousei-a carinhosamente sobre a minha barriga, sorri-lhe - o meu sorriso envergava todas as emoções que naquele momento sentia - e olhei-lhe nos olhos profundos:

Estou grávida!

Os olhos dele arregalaram-se, o brilho intensificou-se e senti o pulsar do seu coração acelarar. Um sorriso rasgado começou a surgir no seu rosto perfeito.

Grávida? De quanto tempo? Amor, esta novidade é... Estou tão feliz - disse ele.

Respondi-lhe a todas as perguntas com o mesmo entusiasmo que ele demonstrara. Agarrou-me e beijou-me com uma intensidade imensa... Não queria terminar com aquele momento, queria prolongá-lo, levá-lo adiante. Com um toque ele deitou-se e o meu corpo ficou sobreposto ao dele. A sua mão subia levemente pelas minhas costas sentido cada toque da minha pele... O tempo estava quente e o calor tomava conta dos nossos corpos... Os beijos, os toques, as caricias, o aroma...

Continua...

Meus queridos, estamos de parabéns; chegamos ao centésimo post!

Sussurro ao mar #15


Sentia-me maravilhada por poder voltar a sentir o toque do seu abraço. Sentia o mundo a andar à volta, sentia aquele calor, aquela paixão mas acima de tudo sentia alivio. Alvio por ele estar ali e estar perfeitamente bem, alivio por parecer que nada de mal se tinha passado e agora, bem, agora estava na altura de eu lhe contar tudo... Segurei a sua mão e comecei a falar:

Leonor: Como é que te sentes fofinho?
Tiago: Oh meu Amor, feliz por estares aqui - sorriu como um verdadeiro galã.
Leonor: Mas não te doi nada?
Tiago: Não querida, é como se nada se tivesse passado.
Leonor: Então anda - sorri - precisamos de falar.

Ele segurou a minha mão bem forte para eu saber que ele estava ali e que não me iria largar por nada deste mundo. Fomos a pé até casa dele, sentindo a brisa balançar os nossos cabelos... Ele queria levar o carro mas eu não deixei. Desta vez seria eu a preparar-lhe uma surpresa. Disse para ele ir a casa tomar um duche e mudar de roupa enquanto me escapuli ao supermercado... Fui o mais rápido que pude pois queria por tudo no carro para que ele não se apercebesse. Já estava sentada ao volante quando ele apareceu... Estava lindo... As calças de ganga escuras favoreciam-no e a camisa branca deixava-o um borrachinho, por cima da camisa envergava um fino casaco de malha cinzento... Aquela visão era estonteante, suave, perfeita... Ele entrou dentro do carro e senti o cheiro do perfume dele, aquele aroma deleitável e ao mesmo tempo sexy e picante entrava pelo meu nariz fazendo-me sentir calma. Beijou-me ao de leve e perguntou:

Onde vamos?
Surpresa! - respondi!

Arrancamos e dirigimo-nos ao Porto... O caminho ainda era longo mas apesar da atenção que devia prestar à estrada não conseguia tirar os olhos dele nem do seu sorriso enquanto a minha mão estava perfeitamente entrelaçada com a dele... A sua pele quente e suave tocava na minha carinhosamente, não queria que aquele toque tivesse um fim! Após uma hora de viagem estacionei o carro na beira da estrada.
O sonho estava prestes a tornar-se realidade...

Continua...

domingo, 16 de janeiro de 2011

A chuva cai e eu fujo.


A chuva caía lá fora, arrebatadora, cruel... Eu não aguentava mais a dor de não te ter por perto, sentia uma pontada no peito, uma forte mágoa no coração! Olhava pela janela para aquele céu cinzento e magestoso e pensava «Hoje sinto-me como tu. Zangada, revoltada, angustiada, sozinha numa imensidão de espaço, triste, magoada, imundada de lágrimas». Nos meus olhos via-se a chuva refletida e aos poucos a janela embaciava com o meu respirar... Aproximei o meu dedo e ao delinea-lo marquei um D. Mas onde andavas tu outra vez? Estou à deriva sem saber se terei forças para impedir que o meu corpo se afunde nas minhas próprias lágrimas. Não consegui aguentar aquele impulso que me estimulava de dentro para fora. Peguei rapidamente nas sapatilhas, calcei-me e corri desalmadamente rua fora enquanto a chuva percorria o meu rosto e molhava o meu cabelo fazendo-o pingar por toda a parte. Corri sem parar. Enquanto corria pensava em todas as vezes que a distância já me tinha feito perder-te, pensava no número incontável de vezes que já tinha perdido de vista o teu sorriso, e na conta infindável de momentos em que havia perdido o delicioso e suave toque dos teus lábios. Pensava nas incumensuráveis vezes em que havia perdido o teu abraço que me deixava a mulher mais segura e protegida à face da Terra. Basicamente pensava em ti, e a chuva caía brava, intrépida e destemida. O meu choro tinha parado à alguns minutos quando a minha respiração se tinha tornado ofegante, mas quando dos lábios lambi uma gota de água apercebi-me do seu tom salgado e notifiquei que as lágrimas não tinham parado de escorrer.
Tinha a roupa colada ao corpo de tão encharcada, odiava aquela sensação mas naquele momento nem dava por ela. A rua parecia infindável... não havia curvas, saídas ou rotundas... Era a recta mais rectilínea que alguma vez observara e parecia que não tinha fim. A dor começava a tomar conta das minhas pernas e o ar teimava em não percorrer os meus pulmões. Dobrei-me sobre os meus joelhos tentado recuperar o folêgo, inspirando profundamente e expirando lenta e vagarosamente. Levantei as mãos dos joelhos e endireitei-me. Olhei para a frente a tentar perceber se aquele longo túnel alguma vez teria saída. Os meus olhos arregalaram-se automáticamente. O meu coração começou a bater ainda mais forte e descompassado tornando a minha respiração ainda mais difícil. Sentia um formigueiro a subir-me pelas pernas e a minha cabeça andava às voltas como se eu tivesse acabado de sair de um carrossel louco. A minha visão turvava de segundo para segundo e tudo o que dantes era colorido tornava-se agora neutro, passando do tom claro à escuridão total. Quando abri os olhos tinhas-me nos teus braços, os teus olhos preocupados fizeram o meu coração retraír-se, tentava falar mas as palavras não saíam. Sentaste-me ao de leve no meio da estrada e colocas-te o teu dedo sobre os meus lábios para que nada mais pronunciasse. Sentaste-te e colocaste-me no meio das tuas pernas, com a cabeça sobre o teu peito molhado e eu atentamente ouvia o teu coração e finalmente desfrutava do abraço que à tanto precisava. Puxaste-me gradualmente para trás, olhaste-me com os teus profundos olhos de avelã e aproximas-te os teus lábios do meu ouvido «Nunca te vou deixar»... Respirei de alivio! Voltas-te a olhar para dentro dos meus olhos verdes e aproximas-te a tua boca da minha e enquanto a tua lingua tocava na minha o mundo tornava-se perfeito e aos poucos tu fazias-me tua.