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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Caixa de Segredos #1


Sempre fui uma pessoa que se liga apaixonadamente às memórias. Sempre vivi recordando bons momentos, pessoas que passaram pela minha vida e que, de certa forma, contribuiram para que esta mudasse, para que se tornasse melhor... Por entre caixas e caixas escondo as minhas lembranças, palavras ditas em vão descansam em páginas que há muito se encontram fechadas, imagens que poderiam falar por si mas que com o passar do tempo foram perdendo o valor que um dia haviam tido e pequenos objectos que, com um simples toque, passavam na mente imagens da minha vida.Vivi presa a esses momentos durante muito tempo acreditando com todas as minhas forças que foram os melhores anos da minha vida e que nunca voltaria a ter nada igual; a verdade é que consegui melhor. Sento-me na cama; pego numa das minhas caixas de segredos e perco-me entre sorrisos e lágrimas de momentos que um dia fizeram parte de quem sou. Sorrisos largos e risadas com a recordação de todas as perípecias, ditas e desditas e momentos que por breves instantes se haviam perdido algures num subconsciente entristecido surgem ligeiramente. Lágrimas de arrependimento, de uma certa 'perda' e de saudade surgem arrebatadoras mas nunca permitindo que o meu sorriso se dissipe. Sou assim, uma memória viva daquilo que fui e uma prova do quanto a vida pode mudar uma pessoa. Olá, sou a Mia e esta é a minha caixa de segredos...

(Esta foi uma ideia que me surgiu quando estava prestes a adormecer,
poderá continuar consoante as vossas opiniões. O que acham?)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Refugio


Um lugar calmo perdido no meio do nada. Um lugar belo rodeado pelo mar. Um lugar onde os problemas são raptados mal os meus pequenos pés de princesa se apoiam naquela areia branca e fina que me regalam somente com sentimentos puros e dignos de uma pessoa calma, serena e relaxada. Apesar de delineado por toda aquela areia quente, no seu coração este refugio está repleto por espécies de árvores à muito extintas em todos os outros lugares do mundo, recheada de flores raras e com poderes curativos para todos os males e do lado oposto apresenta uma pequena casinha de madeira, muito rústica e antiga mas igualmente bela. É um espaço aberto onde entra toda a luz daquele dia e onde as cortinas esvoaçam com o vento que sopra calmo e quente. Estavas lá fora, na pequena ponte de madeira, a atirar pedras para o rio. O pensamento surgia nos teus olhos e por breves momentos esboçavas um sorriso atirado ao ar. Eu mirava-te por entre as linhas soltas do meu livro, apreciando a tua beleza e apercebendo-me, como sempre que te observava com atenção, o quanto te amo e o quanto significas para mim. Vieste para dentro, deliciaste-me com um beijo apaixonado e foste tomar banho. Larguei o livro em cima da mesinha depositada ao lado do sofá e fui colocar os meus pensamentos junto ao rio. A corrente estava forte e o vento começava a soprar friamente; enrolei-me numa manta e fiquei de pé, maravilhada com aquela paisagem, perdida por entre sentimentos e momentos, perdida no meio de uma imensidão de amor... Silenciosamente aproximaste-te e acolheste-me nos teus braços dizendo «Relembra deste lugar como o lugar onde o teu namorado te sussurrou ao ouvido que te ama. Amo-te muito!». Um arrepio perseguiu as minhas costas no momento em que os lábios dele tocaram levemente o meu pescoço...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #30


Eu sofucava nos meus próprios gritos. Ninguém me dizia nada e a minha menina estava roxa; não respirava!A enfermeira trouxe rapidamente o ventilador. Deitaram-na e começaram a ventilar.

Eu estou aqui contigo amor, tem calma - pediu Tiago.
Não, não. Vai para a beira dela, não quero que esteja sozinha...
Mas Amor...
Vai Tiago! - Ordenei.

Ele foi para perto dela e colocou o dedo em cima da sua pequena mãozinha. Olhava para mim com um olhar perdido e repleto de mágoa. As lágrimas surgiam fortes e descontroladas; ele chorava comigo. De repente desviou o olhar de mim para ela e depois para a sua mãozinha. Ela estava a apertar o dedo dele e pela primeira vez chorava tal e qual uma bebé recém nascida.

Ariana, - disse - quero que se chame Ariana; pela força que teve, pela guerreira que é...

Tiago olhou-me nos olhos sorrindo e chorando de emoção... Pela grande porta cinzenta entrava a enfermeira com a coisinha mais pequenina e rosinha à face da terra. Estava calminha, não chorava e tinha os traços de Tiago, como eu sempre desejara. A enfermeira depositou-a nos meus braços e eu olhei nos olhinhos dela sentindo pela primeira vez o tal Amor de Mãe.

E Anita, pela calma e serinidade...

Levaram Ariana para que a limpassem e vestissem; mais tarde eu tinha nos braços as  minhas duas princesas e o homem da minha vida. Se poderia pedir mais? Não, eu sou feliz!

Continua...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #29


Acho que os meus berros se ouviram na maternidade inteira porque segundos mais tarde o médico apareceu batendo à porta.

Leonor? Como se encontra?
Prestes a explodir, por favor ajude-me.

Acho que o desespero e a dor se pronunciaram por mim, voltei a gritar inconscientemente e ao olhar para o pequeno ecrã o médico determinou que estava na altura das minhas meninas nascerem. O médico chamou os ajudantes que transportaram a minha cama ao longo de um enorme corredor coberto por paredes brancas e luzes incandescentes que ofuscavam a minha visão. O elevador desceu rapidamente e quase não senti o seu movimento. Levaram-me de imediato para a sala de partos e apesar do nervosismo imenso que me atacava ter o Tiago ao meu lado, com a sua mão colocada sobre a minha acalmava-me consideravelmente. O pessoal médico aguardava a minha chegada já com tudo a postos. O médico sentou-se ao fundo da cama; eu já suava por todos os lados e tenho bem noção da força que aplicava sob a mão de Tiago.

Leonor, quando eu lhe disser faça a maior força que conseguir.

Escutei o médico atentamente tentando concentrar-me em algo que não aquela dor excruciante.

Faça força Leonor.

Apliquei a maior força que podia; agarrada à mão de Tiago para que a força dele fosse a minha e para não me esquecer que ele estava ali comigo, a apoiar-me, como sempre! Minutos mais tarde ouvi o choro de uma bebé que vislumbrei brevemente. Aquele era o som que todas as mães queriam ouvir. Levaram-na para que a limpassem e para que mais tarde ela podesse permanecer, angélicamente, sobre os nossos braços.

Vá Leonor, mais uma vez para a próxima pequena.

Voltei a agarrar-me a Tiago e fiz tanta força quanta podia naquele momento. Vi a pequena que permanecia nos braços do médico, ele olhava para ela mas... ela não chorava. Eu não ouvia a minha menina.

O que é que se passa? Porque é que ela não chora?
Tragam um ventilador... Rápido!

Continua...
(Dedico esta partezinha ao namorado pelo apoio q deu a mim)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #28


O tempo passava... rápido de mais até. Apesar de já terem passado três meses a mãe do Tiago ainda continua no hospital e a família não tem coragem de desligar as máquinas pois há um mês atrás houve indicios de actividade cerebral. O Tiago tem andado em baixo e eu costumo ir a casa aos fins-de-semana visitar os meus pais mas o meu tempo é passado aqui, dando todo o meu apoio a quem mais dele necessita. Eu sei que ele se sente melhor quando estou por perto, tal como eu me sinto mais segura na sua presença. Eu estava a acabar de arrumar o quarto quando sinti uma dor pontiaguada no fundo da barriga. Agarrei-me a mim mesma tentado controlar aquela pontada dando conta, por fim, que tenho água a escorrer pelas pernas. Entrei em pânico; o Tiago não estava e eu não queria passar por esta situação sem ele. O que é certo é que ainda faltam umas semanas para as pequenas nascerem mas parece que não querem esperar mais. Com alguma força pus-me a pé e peguei no telemóvel que tinha dentro da carteira. Marquei rapidamente o número do Tiago:

Amor... Preciso que venhas para casa; rápido!
Está tudo bem fofinha? O que se passa? - Perguntou ele preocupado.
Arrebentaram-me as águas.

Só ouço o pi..pi..pi indicando o fim da chamada. Pego na pequena malinha, que já algumas semanas tinha preparado, e desço as escadas aguardando a chegada de Tiago. Ouço o chiar dos pneus e o seu passo acelerado que abrem a porta de rompão.

Amor, vamos. Tens tudo preparado? Não falta nada.
Podemos ir fofinho.

Ele colocou o braço em minha volta ajudando-me a caminhar. Sentou-me no banco de trás do carro e pôs prego a fundo rumo à maternidade. Parou o carro à porta das urgências e uma enfermeira loira de olhos castanhos e silhueta desmedida vem a nosso encontro trazendo uma cadeira de rodas. Tiago estaciona rapidamente o carro e volta a correr para junto de mim. Fui levada para um quarto privado onde me trocaram as roupas e me colocaram confortavelmente sobre uma cama.

A doutora vem a caminho, aguarde um pouco - disse a enfermeira.

As contracções tinham diminuido e eu respirava calmamente. Tiago permanecia ao meu lado, segurando a minha mão com a sua e mantendo a outra em cima da barriga para acalmar as nossas meninas; nós sabiamos o quanto esse gesto as acalmava. Quando menos esperei as contracções voltaram e mais fortes do que anteriormente. A dor era forte, provocadora e eu só queria que ela parasse. Gritei! Dói de mais...

Continua...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #27


Quando a música parou e a aparelhagem mudou de cd continuando com a mesma música calma e romântica ele pegou em mim ao colo e colocou-me suavemente sobre a cama... Deitou-se carinhosamente ao meu lado e colocou o braço à minha volta. Virei-me para ele para que os nossos olhos se encontrassem sem qualquer entrave. Os seus lábios aproximaram-se dos meus e beijaram-me com toda a ânsia que o seu corpo envergava; a sua mão quente de toque suave subia pelas minhas costas acarinhando a minha pele. Com uma mão apenas ele desapertou os pequenos ganchos do meu soutien para que podesse livremente perscrutar aquela parte do meu corpo. O nosso amor fluia livremente, a paixão desenfreada corria pelos nossos corpos em forma de desejo e os nossos corpos tocavam-se criando pequenas sensações de prazer. Mais tarde, depois do nosso amor ter 'explodido' ficamos aninhados um no outro sentindo aquele calor que emanava da nossa pele e o coração que batia atrevido. Adormecemos; ele agarrado a mim em forma de protecção e eu aninhada em seu peito sentido todas e quaisquer emoções...

Continua...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #26


Apesar de estar um pouco mais solto eu conseguia sentir as tristes emoções que transbordavam de seu coração.

Amor, já é tarde... Vamos descansar? - Perguntei.

Ele assentiu com a cabeça e depois de inspirar longa e profundamente aquele ar frio e calmante e de deitarmos um breve olhar àquela paisagem que fizera parte do nosso dia viramos costas e andamos alguns metros em direcção ao carro. Dirigi-me novamente para o lado do condutor e enquanto abria a porta:

Fofinha... deixa estar. Eu já estou melhor para conduzir!

Aproximou-se de mim e segurou a mão que eu tinha depositada sobre a porta beijando-me levemente. Abracei-o; sabia bem o quanto os meus abraços o tranquilizavam e o que significavam para ele além de que sempre me sentira bem na fortaleza que eram os seus braços. Dei a volta ao carro e sentei-me no lugar do passageiro apertando o cinto de segurança. Ele arrancou conduzindo com o mesmo cuidado que sempre tivera. Percorremos o caminho de volta a casa dele e nem dei pelo passar do tempo. A mão dele segurava a minha e por vezes, em certos momentos, eu sentia a sua tensão de cada vez que com mais força ele a apertava. Eu sabia que ele não dava conta, mas também a força exercida não era suficiente para haver um queixume da minha parte. A viagem foi passada com os olhos depositados nele por breves instantes e fixados na noite escura e temível que observava por entre os vidros do carro. A música tocava ligeiramente baixa e a minha voz era mais distinta de cada vez que cantava. Chegamos a casa rapidamente e a primeira coisa que ele fez quando chegou ao quarto foi ligar a pequena aparelhagem que tinha colocada junto à janela. A música era bastante leve e calma... Verdadeiramente digna de uma dança apaixonada. Sentei-me na cama cruzando as pernas e retirando o pequeno lenço que continha nas costas. Ele ajoelhou-se à minha frente e retirou-me as sabrinas. Pegou na minha mão depositando-lhe um beijo quente e sincero. Puxou o meu corpo para junto do seu e começou a balançar o seu corpo ao ritmo lento que a música lançava naquele espaço. Encostei-me bem a ele apesar da barriga nos separar por alguns centímetros e segui-o ao ritmo daquela dança! Encostei a cabeça ao seu peito quente e senti o romântismo que o momento envergava. Não queria terminar com aquele precioso instante, queria mantê-lo sempre presente no meu coração. Naquele momento decidi que me manteria ali, perto dele, enquanto aquela situação devastadora não cessasse; dar-lhe-ia todo o meu apoio e estaria constantemente ao seu lado... Ele é a minha vida e eu não quero que ele perca a sua alegria de viver...

Continua...

Imaginação #1


A velocidade da camioneta estava a dar-me cabo dos nervos. Estava sentada à três horas e as costas começavam a queixar-se e eu já não sabia em que posição me poderia pôr de forma a ficar mais confortável. Apesar de todo aquele desconforto passei a viagem com músicas cantadas pelos meus lábios. A noite ia escura, a minha visão era incapaz de detectar o que quer que fosse na estrada que percorriamos. Estava tão perto de ti; o meu coração contorcia-se de dor por não poder privar da tua presença e de todo o teu amor. Continuava a olhar pela janela, mirando atentamente o meu reflexo pensava em ti, nos sentimentos que despertavas em mim; mas o que realmente despertou foi a minha imaginação... O teu carro apareceu do nada, abrandas-te para que mantivesses o ritmo do transporte onde eu ia. Olhas-te nos meus olhos. Estavas ali, realmente estavas ali e eu mirava-te com tanta atenção. Fiquei aflita, era a minha única oportunidade e eu tinha definitivamente de aproveitá-la. As lágrimas percorriam o meu rosto ferozmente.

«Parem o autocarro» - gritei! - «Deixem-me sair.»

Depois de explicar bem a situação deixaram-me sair. Corri pelas escadas abaixo quase perdendo o equilibrio. Tu estavas a minha espera e eu saltei para o teu colo. Agarraste-me e beijaste-me!

Que imaginação fértil...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um sonho .


Eu estava sentada num banco de pedra observando a rua, o metro, os carros que passavam... Escrevia enquanto ansiosamente esperava pela tua chegada. À meses que esperava; que aguardava ser preenchida pela tua presença e mantida em segurança pelo teu caloroso abraço. As linhas iam rapidamente sendo preenchidas por tudo o que sentia; as linhas do meu coração! Desviava o olhar do caderno, que segurava com tanto afinco, para mirar a rua, investigando atentamente tentando notar a tua presença. O meu telemóvel toca; era a tua música. Abri a mensagem:  Amor, estou a chegar <3. O meu coração disparou e todas as minhas linhas de pensamento foram dissipadas. Arrumei o caderno dentro da mala juntamente com a minha caneta cor-de-rosa. Tentava captar com o olhar todos os promenores, perscrutando atentamente a rua em busca do teu rosto! Levanto-me nervosa e atravesso a rua, encosto-me do lado de dentro de uma coluna tentando esconder o meu nervosismo. O meu telemóvel volta a tocar; atendo.

ELE: Amor, onde estás? Já cheguei ao sitio onde me indicas-te-
ELA: Mais perto do que imaginas. - Lentamente saio de trás da coluna e vejo-te junto ao carro olhando para mim e admirando a beleza que à tanto ansiavas por mirar.
Fechas-te o carro e começas-te a andar em minha direcção; paras-te a alguns metros de mim. Não consegui evitar, a adrenalina percorria o meu corpo; comecei a correr na tua direcção e saltei para o teu colo prendendo as minhas pernas em redor da tua cintura. Abraçaste-me tão forte, inpiras-te profundamente para que inalasses o cheiro do meu perfume de forma a nunca mais te esqueceres do meu aroma e colocas-te a mão no meu cabelo prendendo-o atrás da minha orelha. Olhavas-me estonteado; comigo ao colo observavas os meus olhos, estavas tão fixado que parecia que estavas a entrar dentro deles e a memorizar cada traço do meu rosto. O teu instinto foi mais forte, beijaste-me com todo o amor e toda a paixão... Um beijo que durou mais do que meros segundos, um beijo enlouquecedor que nos deixou a ambos sem fôlego. Quando paramos sorrimos um para o outro... O mundo para nós havia parado! Andas-te comigo à volta como se nos tratassemos de duas crianças abrindo um briquedo no natal; a verdade é que somente nós existiamos e o mundo tornara-se nosso...

Sussurro ao mar #25


Ele não estava bem... O choro dele era incessante e até as nossas bonequinhas estavam a ficar irrequietas.

Queres que vá contigo ao hospital? - perguntei carinhosamente.
Não, - retorquiu ele bruscamente - não quero que vocês estejam sujeitas àquele tipo de ambiente.

Eu compreendi a sua indignação; ele não nos queria perder, não nos queria colocar naquela situação. Voltamos para junto da estação para ir buscar o carro e como ele estava bastante nervoso conduzi eu. Sabia que ele precisava de se acalmar e de respirar profundamente por isso, sem nada lhe perguntar, dirigi rumo à praia. Apesar de serem alguns quilometros de distância chegamos lá relativamente rápido. Quando estacionei o carro ele olhou para mim com uma expressão interrogatória no rosto.

Achei que precisavas de um local calmo, com uma leve brisa que esvaziasse o teu coração e a tua mente de toda a angústia e indignação...

Ele abraçou-me e eu receei que as lágrimas voltassem a perscrutar o seu rosto. Saimos do carro e colocamo-nos de frente para o mar... Ele aproximou-se pela retaguarda e segurou-me nos seus braços permitindo que eu sentisse a sua respiração nervosa aquecer o meu pescoço. Ficamos a mirar aquela paisagem sem que uma única palavra fosse pronunciada, eu sabia que ele precisava de mim e do meu apoio e que as minhas palavras não seriam capazes de o tranquilizar ou de alterar significativamente a situação em que ele se encontrava. O tempo foi passando, as horas breves e bruscas passaram sem darmos conta e o pôr-do-sol surgia agora com toda a sua grandeza e formosura. Aquele fenomeno sempre nos havia deslumbrado desde o primeiro dia, isso não se havia alterado depois deste ano e meio que passamos juntos. Liguei para casa a avisar do sucedido e a dizer que permaneceria com Tiago. Os meus pais mandaram todo o seu apoio e disseram inclusivé que telefonasse se algo fosse necessário. As estrelas foram surgindo no céu brilhantes e magestosas e nós permanecemos a mirá-las... Por entre beijos trocados e juras de amor a tristeza dele foi findando e a calma começou a percorrer o seu corpo. Eu amava poder trazer junto dele toda a calma que ele precisava e nos momentos certos a agitação de uma paixão afogueada e ardente...

Continua...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #24


O choro dele tornava-se agora no meu. Ver as lágrimas que escorriam pelo seu rosto marcado por feições de tristeza e amargura faziam-me chorar também. Havia-me sentado no banco há alguns segundo quando ele se pos a pé. Devido à barriga que crescia mais a cada dia não conseguia manter as pernas correctamente fechadas; ele ajoelho-se no meio delas e encostou o ouvido à minha barriga. Ele escutava atentamente todos os pequenos sonzinhos e acarinhava docemente as suas filhotas; sussurrava conversando com elas; apercebi-me que conversava sobre o que sentia. Levantou a cabeça olhando tão pronfundamente nos meus olhos que era capaz de me penetrar com o seu olhar «Eu não vos quero perder» . As lágrimas caíam e a minha preocupação aumentava a cada segundo. Encostei a sua cabeça ao meu corpo em sinal de um pequeno abraço; sabia que ele estava a precisar. Ele levantou-se e pegou na minha mão; levantei-me.

Amor, não te importas que caminhemos um pouco? Se estiveres cansada eu compreendo.
Eu estou bem principe, podemos sim caminhar um pouco - respondi.

Caminhamos para fora da estação e dirigimo-nos à estrada que se encontrava ao longo da orla da floresta. O choro tinha cessado e ele segurava agora a minha mão com bastante força. Quando a respiração ofegante tinha obtido um fim começou a falar calmamente:

Ontem... ontem a minha mãe foi de urgência para o hospital. Estava bem ela, mas de um momento para o outro começou a sentir uma dor forte e excruciante na cabeça e não conseguia mover bem o braço esquerdo. Teve um AVC! - As lágrimas voltavam cruéis. - Foi tudo muito inesperado e os médicos não sabem o que poderá tê-lo causado. Como as defesas estavam demasiado em baixo ela ainda não conseguiu recuperar; está em coma. - As lágrimas tornavam a sua respiração ofegante.

Abracei-o forte. Ficamos parados na berma da estrada. Ele abraçava-me não largando nunca a minha barriga.

Os médicos não dão esperanças se ela não acordar nas próximas 42 horas amor.
Não chores, nós estamos aqui contigo. Vamos torcer para que tudo fique bem - sorri sabendo que nada do que dizia o tranquilizaria, sorri entristecida por ver que o seu coração se estava a despedaçar, sorri sem saber como fazê-lo sentir-se melhor.
Eu amo-te principe...

Continua...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #23


O Tiago ligou-me hoje de manhã... Foi bom acordar com o som da sua voz, com tamanha meiguice e carinho.

Como estão as minhas três meninas? - perguntou ele do outro lado da linha.
Mortas de saudades tuas meu Amor. - Ele sorriu. Eu consegui perceber no tom da sua voz que, apesar de meigo, possuia no fundo uma certa seriedade e importância.
Passa-se alguma coisa? Queres falar? questionei abertamente.
Quero sim Amor. É algo em que tenho andado a pensar e não quero adiar esta conversa por mais tempo - ao som destas palavras o alarme que existia dentro da minha cabeça disparou e a preocupação foi surgindo, exaltada.
Sim...
Tu sabes que és a mulher da minha vida, - começou - a mãe das minhas meninas e quem eu mais amo e ... eu quero casar contigo. Queria que, depois das princesas nascerem, dessemos esse passo que ambos sabemos que é muito importante para nós. O que achas? - As minhas emoções estavam aos saltos e as minhas filhotas estavam igualmente entusiasmadas com o tema da conversa; os papás iam casar.
Amor, por momentos assustaste-me. Claro que quero casar contigo. E acho que seria óptimo que o fizessemos após o nascimento das meninas. Mas sabes que já não falta muito tempo e que teremos muitos assuntos a tratar, mas estou completamente disposta a completar esta fase e dar um passo em frente em direcção ao nosso futuro e à formação da nossa vida juntos - eu sentia que ele estava emocionado, e percebia o quanto aquele momento significava para ele. Sabia que ele sentia tanto a nossa falta como nós sentiamos a dele por isso não hesitei e perguntei. - Amor... O que achas de ir ter contigo e passarmos o dia juntos? - A respiração dele parou e senti que ele ficou um pouco perplexo. - Amor?
Estou aqui bebé... Sim, acho que hoje podemo-nos mimar inteiramente um ao outro. Queres que te vá buscar?
Não amor - respondi - eu apanho o comboio. Entretanto vou-me preparando. Até já. Beijinho nos teus lábios. Amo-te muito!
Amo-te muito princesa - exclamou.

Desligamos a chamada e depois de um duche rápido e de um pequeno-almoço reforçado parti em direcção à estação. Quando abandonei a carruagem ele estava a minha espera; estava perfeito com a sua tez morena e com o cabelo que esvoaçava sensualmente ao sabor da brisa. Aproximei-me sem ele dar conta. Abaixei-me devagar e reparei nos seus olhos ostentados por lágrimas. Encostei a sua cabeça ao meu peito e apertei-o contra mim.

Amor? Estás bem? O que é que se passa? Estás-me a deixar preocupada!

Com o meu abraço ele não foi capaz de controlar o choro e as lágrimas puras que dos olhos dele caíam molhavam agora o meu ombro descoberto.

Estou aqui contigo. Não irei deixar-te sozinho!

Ele agarrou-me com toda a sua força durante breves minutos; afastou-se e acarinhou a minha barriga...

Não me deixes...
Não te posso perder a ti também - disse ele por entre o choro, ofegando e sentando-se para não perder as forças - fica comigo fofinha!

Continua...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #22


São gémeas! Duas princesas lindas... Eu e o Tiago não conseguimos parar de sorrir; a felicidade é tão extrema que me sinto quase a explodir. Bem que me diziam que a minha barriga estava demasiado grande para quem estava de cinco meses.

Mas como não se viu antes que eram gémeas? - perguntei entusiásticamente à Dra.
Elas estavam a esconder-se uma à outra. Não se vê logo que são umas brincalhonas? - sorriu.
Mas está tudo bem? Estão as duas igualmente desenvolvidas? - questionou Tiago.
Apontando para o ecrã respondeu - Estão a ver esta pequenina? Ela é um bocadinho maior, mas a diferença é pouca. Elas estão equiparadas - sorriu abertamente.

Sentia-me maravilhada, só queria comprar aquelas coisinhas pequeninas, fofinhas e cor-de-rosa. Perguntei ao Tiago se ele tinha tempo e se queria vir às compras comigo. Ele também estava entusiasmado e aceitou prontamente. Fomos almoçar à beira-rio e passamos a tarde rodeados das coisinhas mais doces, sentiamo-nos ainda mais completos. Viemos para casa cheios de sacos; o dia havia sido perfeito...

Continua...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sussurro ao mar #21


Em menos de nada dois meses se passaram e estava na altura da ecografia. Este mês irei saber se é menino ou menina, não podia estar mais entusiasmada. Infelizmente o Tiago não poderá vir comigo este mês por causa do trabalho mas tem-me acompanhado sempre a todas as consultas, exames e ecografias. Acordei cedo e fui tomar um duche, a água quente sempre teve um efeito calmante em mim. Olhei para a minha barriga enquanto a água caía sobre o meu corpo, estava tão grande e o meu filhote estava entusiasmado, acho que gostava da sensação da água tanto quanto eu. Vesti umas leggins pretas e uma túnica branca com umas sabrinas confortáveis; o Verão havia chegado com todo o seu poder e calor. Saí de casa e meti-me no carro; rapidamente liguei o ar condicionado pois aquele calor enjoava-me imenso. Em dez minutos cheguei a maternidade; dirigi-me ao balcão para assinalar a minha presença e sentei-me na sala de espera a acarinhar a minha barriga. Mais tarde o Tiago viria ter comigo e eu sabia exactamente como lhe iria contar. Os nomes já estavam escolhidos. Se fosse menina seria Margarida, se fosse menino seria Afonso. Sentia o meu coração pulsar forte e os pontapés não paravam nem por um segundo. Ouvi o meu nome ser chamado pelos altifalantes e levantei-me dirigindo-me ao corredor que me levaria à porta do consultório. Ao chegar ao corredor possuia visibilidade para a porta da entrada; qual é o meu espanto quando vejo o Tiago a correr a meu encontro e a abraçar-me carinhosamente deixando um leve beijo na minha testa.

Amor? Que fazes aqui?
Não podia abdicar de vocês, hoje é um dia importante - retorquiu.

A surpresa que lhe faria estava arruinada mas era mais importante para mim que ele estivesse presente. Peguei na mão dele e coloquei-a sobre a minha barriga; ele sempre ficara fascinado com a força que o nosso bebé exercia com os seus pézinhos pequeninos. Sentei-me na cadeira em frente ao consultório esperando a chamada da médica. Tiago ajoelhou-se à minha frente e encostou o seu ouvido à minha barriga cantando baixinho para o nosso filhote. Sempre que ele o fazia os pontapézinhos acalmavam, era como se o bebé adormecesse ao som da sua voz. Entramos na sala e deitei-me sobre a marquesa tal como a médica havia pedido. Tiago sentou-se ao meu lado num pequeno banco de madeira segurando ansiosamente a minha mão. A médica colocou o gel frio sobre a minha barriga e senti um arrepio. Enquanto ela fazia o exame eu sofria ansiosamente por uma resposta.

Dra., já nos pode dizer se é menino ou menina?
Já posso sim Leonor, está bem à vista.

Tanto eu como o Tiago queriamos uma menina, mas o importante mesmo era que fosse saudável e perfeitinho independentemente do sexo. Quando a médica falou, não poderiamos ficar mais surpreendidos. Os nossos olhos quase sairam da órbita e olhamos um para o outro com um sorriso escancarado no rosto; não podiamos acreditar...

Continua...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sussurro ao mar #20


Eu não queria que aquele momento terminasse, nunca. Não queria sair do calor protector do seu abraço, não queria perder contacto com a sua pele nem com os seus lábios. O sol nascia e a claridade entrava pela janela que ele se esquecera de fechar; nunca fui boa a dormir com luz. Esfreguei os olhos devagar para que fosse capaz de abri-los. Virei-me para ele e abracei-o forte; o seu sono ainda era profundo e não quis acordá-lo - fiquei a olhar para o seu rosto angelical e perfeito. Todas as suas feições me deixavam estonteada. Aqueles lábios vermelhos eram a minha perdição, o meu pedaço de mau caminho! Passei o meu dedo levemente por aqueles lábios tão bem delineados; a vontade de os beijar era superior e não fui capaz de negar a sensação. Os meus lábios aproximavam-se dos dele permitindo que eu sentisse a sua respiração no meu pescoço; essa sensação deixava-me arrepiada. Ao de leve os meus lábios tocaram nos dele fazendo com que o meu corpo fosse coberto por um misto de sensações. Não queria parar; queria ser correspondida, mas ao mesmo tempo não queria acorda-lo, queria permitir-lhe descansar calmamente, sem pressas... Finalmente ganho as forças necessárias para afastar os nossos lábios. Fico resplandecente a olhar para ele e comentando para mim mesma Eu Amo-o tanto. Não me tinha apercebido que o tinha dito em voz alta e ele soltou um pequeno sorriso quase desapercebido e puxou o meu corpo para o seu. Abriu os olhos:

Bom dia meu Amor...

Sorri encantada por aquele sorriso, pelo brilho de amor que lhe saltava dos olhos, pelo seu toque impaciente... Ficamos tão perto que os nossos coração batiam aligeirados um contra o outro.

O teu coração está descompassado amor - disse ele.

Esbocei um leve sorriso e disse: Ele bate por ti, unicamente por ti!
Ele sorriu de volta e abraçou-me. Sussurrei-lhe ao ouvido um pedido de desculpa por o teu acordado. Ele sussurrou de volta: Eu Amo-te Princesa! Ficamos o resto da manhã deitados na cama, a conversar... Os beijos surgiam espontaneamente e o Amor pairava no ar, como sempre; desde sempre...

Continua...

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sussurro ao mar #19


Como eu não queria ir para minha casa voltamos para casa do Tiago. A viagem era longa e desta vez deixei-o conduzir porque sabia que o cansaço começaria a pesar sobre os meus olhos. Ele pousou a sua mão na minha que estava suavemente colocada sobre a minha perna tirando-a apenas quando tinha de trocar as mudanças. O calor da sua pele tranquilizava-me; fazia-me sentir segura e protegida; dava-me força! Quando dei conta no horizonte a casa dele começava a tomar forma e o meu alívio era grande ao saber que dentro de breves minutos estarei a repousar sobre uma cama suave e macia enrolada nos seus braços e protegida pelo seu amor. Sempre dei muita importância ao sentir-me segura e protegida; ele tinha ambos os efeitos em mim. Ao ver como eu me encontrava despromovida de forças tirou-me do carro e depois de o fechar pegou em mim ao colo. Abriu o portão e de seguida a porta. Subiu as escadas sem o menor esforço pelo peso que carregava. Entrou no quarto e pousou-me levemente na sua enorme cama de casal. Voltou-se para fechar a porta e tirou-me a roupa cobrindo assim o meu corpo com os lençois. Despiu-se e deitou-se a meu lado. A sua pele quente contra a minha dava-me uma sensação segura e descançada. Colocou o braço de forma a envolver o meu corpo e chegou-me para ele de tal forma que conseguia sentir o seu coração bater ferozmente nas minhas costas. Eu sempre soube o quanto ele me amava e nunca tive dúvidas de que seria eterno! Em momentos breves o sono tomou conta da minha alma e a profundeza que atingia dava-me um descanso pleno. Sei que ele ficou a olhar para mim com o carinho que transportava em seu coração; sentia os seus olhos postos em mim apesar da profundidade do meu sono; apesar de estar a ser observada sentia-me confortável. Ele acabou por cair no sono e não me largou a noite toda...

Continua...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sussurro ao mar #18


De um momento para o outra via-me embrenhada num sonho de onde queria fugir... A escuridão cobria tudo e o Tiago não estava lá. Sentia uma perda que me arrasava o coração e sentia-me incapaz de lutar. Eu chamava por ele, gritava... mas a escuridão apenas me envolvia mais! Levemente senti um pequeno toque na barriga, uma emoção arrepiou pelo meu corpo acima. Olhei e vi a minha barriga enorme; coloquei a minha mão e comecei a massajar; «ela» também estava nervosa. As lágrimas caíam com o desespero, as forças começavam a faltar e eu sentia-me a fraquejar. Corria de um lado para outro, sentia-me enclausurada, claustrofóbica e não conseguia sair dali. Aquele que era um nervoso miudinho tornara-se numa grande aflição, o desespero aumentava e quando menos esperei senti uma dor aguçada no fundo da barriga. Quando olhei para baixo vi o sangue que escorria das minhas pernas; o meu choro intensificou-se e deixei-me cair agarrada à barriga sussurrando sem parar : "Não, por favor, não!". Gritei exasperada; e acordei com esse mesmo grito. Tiago levantou-se assustado e a preocupação estava exposta no seu rosto.

Amor, estás bem?
Foi só um pesadelo - respondi - têm sido muitos ultimamente.
É normal amor, segundo o que dizem. Deve ser de andares mais sensível; mas não te preocupes, eu estou aqui contigo - retorquiu.

Abracei-o bem forte, sentir a sua presença e o seu corpo bem perto do meu acalmavam-me e relaxavam-me, fazendo com que me esquecesse de tudo aquilo que me perturbava. Beijei-o apaixonadamente e ficamos assim o resto da noite vendo, com o passar do tempo, as estrelas surgirem num céu calmo e claro onde abundava a magia...

Continua...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sussuro ao mar #17


O toque dele arrepiava-me... O seu cheiro exótico aumentava o meu desejo. Aos poucos a minha roupa ia ficando espalhada por aquele campo adquirindo o maravilhoso cheiro da alfazema. Ele puxou a minha camisola lentamente até poder olhar para a minha pele. Os olhos dele brilhavam a cada toque. Beijou-me a clavicula e foi subindo até ao pescoço, tirando lentamente a alça do soutien que repousava sobre o meu ombro. O beijo prolongou-se até aos meus lábios e senti os seus braços envolverem-me e com um pequeno click o meu soutien caiu! Retirei-lhe a camisa para que fosse capaz de sentir a sua pele na minha enquanto um arrepio subia pela minha espinha. Os beijos intensificavam-se a cada toque, a cada emergir de desejo... O suor começou a surgir aos poucos, a minhas unhas cravavam-se nele lentamente e em breve o nosso prazer chegaria ao fim... Deitei-me sobre o teu peito ouvindo o bater forte, acelarado e descompassado do seu coração. A minha mão vagueava entre o seu peito e a sua barriga; ele beijava-me os cabelos e passava carinhosamente a mão pelas minhas costas despidas. O cansaço tomou conta de nós e acabamos por adormecer bem juntinhos um ao outro; eu só não esperava que voltasse a acontecer outra vez...

Continua...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sussurro ao mar #16


Olhei para ele com o Amor a fluir do meu olhar... Queria dizer tudo o que sentia, mas não era capaz de o descrever, não existem palavras no mundo para que consiga fazê-lo. Segurei a mão dele, sorri-lhe carinhosamente e saímos do carro. Percorremos um pequeno caminho de terra por entre as árvores que possuiam centenas de anos. O cheiro da natureza sempre me havia encantado, acalmado e relaxado... Seria o local perfeito para lhe contar a novidade... Depois de percorridos alguns metros chegamos a uma grande clareira onde abundavam as flores. Aquele cheiro maravilhoso entrava pelos meus pulmões irradiando felicidade. Olhei para ele na tentativa de ver no seu rosto as emoções que o seu coração possuía. Os olhos dele brilhavam com intensidade, ele olhou para mim, sorriu e deu-me a mão. A sua pele suave possuía um toque quente e arrepiante. Não me queria relembrar que quase o tinha perdido, não queria imaginar a minha vida sem ele ou sem o seu amor... Caminhamos no meio das flores e no chão estendi a pequena manta azadrezava e vermelha que havia comprado à pouco. Sentamo-nos. As minhas pernas entrelaçaram-se no seu corpo e abracei-o dando-lhe um leve beijo no pescoço; senti o arrepio dele.

Amor, tenho algo muito importante para te contar.

A sua expressão alterou-se e eu podia dizer que ele estava preocupado...

Tem calma - disse-lhe - não é nada de mau.

Ele sorriu-me tranquilamente e segurou a minha mão junto ao seu peito. Comecei a falar calmamente:

Lá no hospital descobriram uma coisa. Eu não estava à espera, e não sabia o que pensar devido à situação em que estavas. Eu não sabia nada de ti, e estava preocupada, tinha medo; muito medo.

Ele abraçou-me cuidadosamente com medo que eu me partisse como uma boneca de porcelana e falou-me:

Fofinha, agora estou aqui contigo e nada nem ninguém nos vai separar. Mas diz-me o que se passa; sei que passas-te um momento dificil, mas estás-me a deixar preocupado! O que é que se passa Amor?

Peguei na mão dele e pousei-a carinhosamente sobre a minha barriga, sorri-lhe - o meu sorriso envergava todas as emoções que naquele momento sentia - e olhei-lhe nos olhos profundos:

Estou grávida!

Os olhos dele arregalaram-se, o brilho intensificou-se e senti o pulsar do seu coração acelarar. Um sorriso rasgado começou a surgir no seu rosto perfeito.

Grávida? De quanto tempo? Amor, esta novidade é... Estou tão feliz - disse ele.

Respondi-lhe a todas as perguntas com o mesmo entusiasmo que ele demonstrara. Agarrou-me e beijou-me com uma intensidade imensa... Não queria terminar com aquele momento, queria prolongá-lo, levá-lo adiante. Com um toque ele deitou-se e o meu corpo ficou sobreposto ao dele. A sua mão subia levemente pelas minhas costas sentido cada toque da minha pele... O tempo estava quente e o calor tomava conta dos nossos corpos... Os beijos, os toques, as caricias, o aroma...

Continua...

Meus queridos, estamos de parabéns; chegamos ao centésimo post!

Sussurro ao mar #15


Sentia-me maravilhada por poder voltar a sentir o toque do seu abraço. Sentia o mundo a andar à volta, sentia aquele calor, aquela paixão mas acima de tudo sentia alivio. Alvio por ele estar ali e estar perfeitamente bem, alivio por parecer que nada de mal se tinha passado e agora, bem, agora estava na altura de eu lhe contar tudo... Segurei a sua mão e comecei a falar:

Leonor: Como é que te sentes fofinho?
Tiago: Oh meu Amor, feliz por estares aqui - sorriu como um verdadeiro galã.
Leonor: Mas não te doi nada?
Tiago: Não querida, é como se nada se tivesse passado.
Leonor: Então anda - sorri - precisamos de falar.

Ele segurou a minha mão bem forte para eu saber que ele estava ali e que não me iria largar por nada deste mundo. Fomos a pé até casa dele, sentindo a brisa balançar os nossos cabelos... Ele queria levar o carro mas eu não deixei. Desta vez seria eu a preparar-lhe uma surpresa. Disse para ele ir a casa tomar um duche e mudar de roupa enquanto me escapuli ao supermercado... Fui o mais rápido que pude pois queria por tudo no carro para que ele não se apercebesse. Já estava sentada ao volante quando ele apareceu... Estava lindo... As calças de ganga escuras favoreciam-no e a camisa branca deixava-o um borrachinho, por cima da camisa envergava um fino casaco de malha cinzento... Aquela visão era estonteante, suave, perfeita... Ele entrou dentro do carro e senti o cheiro do perfume dele, aquele aroma deleitável e ao mesmo tempo sexy e picante entrava pelo meu nariz fazendo-me sentir calma. Beijou-me ao de leve e perguntou:

Onde vamos?
Surpresa! - respondi!

Arrancamos e dirigimo-nos ao Porto... O caminho ainda era longo mas apesar da atenção que devia prestar à estrada não conseguia tirar os olhos dele nem do seu sorriso enquanto a minha mão estava perfeitamente entrelaçada com a dele... A sua pele quente e suave tocava na minha carinhosamente, não queria que aquele toque tivesse um fim! Após uma hora de viagem estacionei o carro na beira da estrada.
O sonho estava prestes a tornar-se realidade...

Continua...