
A emoção que transbordava dos seus olhos fazia-me estremecer, como se me estivesse a abrir as portas para o seu coração, para os seus sentimentos, para o seu amor. Quando me pegou na mão e senti o corpo estremecer voltei o rosto por uns segundos. Não sabia se o meu olhar transparecia amor, ou medo. A verdade é que queria viver aquele sonho, permitir que aqueles sentimentos, tão fortes, tão robustos, tão intensos, me levassem a percorrer o arco-íris que é a vida, sentindo as gotas de chuva de um dia de tempestade e no fim... amar sem limites. Mas e se o amor tiver um lado negro? E se as turbulências encontradas pelo caminho forem maiores e mais fortes do que as forças que reservei para lutar? E se todos esses desassossegos, encontrados numa estrada com os seus altos e baixos, nos separerem em vez de nos manterem juntos? E se tudo acabar mais depressa do que começou? O amor, tudo aquilo que representa, é a incerteza mais pura de uma vida repleta de sentimentos. Quando ele surge não temos a certeza da sua presença, quando essa certeza desponta temos medo que um dia venha a desaparecer e, assim sendo, o factor medo estará presente a cada momento não nos permitindo aproveitar cada instância como esta deve ser aproveitada, vivida e partilhada.
E naquele momento, sentindo a loucura que palmilhava o meu corpo, decidi:
- Sim, eu vou contigo, eu não olho para trás... Olho apenas para ti, meu amor!