domingo, 16 de janeiro de 2011

A chuva cai e eu fujo.


A chuva caía lá fora, arrebatadora, cruel... Eu não aguentava mais a dor de não te ter por perto, sentia uma pontada no peito, uma forte mágoa no coração! Olhava pela janela para aquele céu cinzento e magestoso e pensava «Hoje sinto-me como tu. Zangada, revoltada, angustiada, sozinha numa imensidão de espaço, triste, magoada, imundada de lágrimas». Nos meus olhos via-se a chuva refletida e aos poucos a janela embaciava com o meu respirar... Aproximei o meu dedo e ao delinea-lo marquei um D. Mas onde andavas tu outra vez? Estou à deriva sem saber se terei forças para impedir que o meu corpo se afunde nas minhas próprias lágrimas. Não consegui aguentar aquele impulso que me estimulava de dentro para fora. Peguei rapidamente nas sapatilhas, calcei-me e corri desalmadamente rua fora enquanto a chuva percorria o meu rosto e molhava o meu cabelo fazendo-o pingar por toda a parte. Corri sem parar. Enquanto corria pensava em todas as vezes que a distância já me tinha feito perder-te, pensava no número incontável de vezes que já tinha perdido de vista o teu sorriso, e na conta infindável de momentos em que havia perdido o delicioso e suave toque dos teus lábios. Pensava nas incumensuráveis vezes em que havia perdido o teu abraço que me deixava a mulher mais segura e protegida à face da Terra. Basicamente pensava em ti, e a chuva caía brava, intrépida e destemida. O meu choro tinha parado à alguns minutos quando a minha respiração se tinha tornado ofegante, mas quando dos lábios lambi uma gota de água apercebi-me do seu tom salgado e notifiquei que as lágrimas não tinham parado de escorrer.
Tinha a roupa colada ao corpo de tão encharcada, odiava aquela sensação mas naquele momento nem dava por ela. A rua parecia infindável... não havia curvas, saídas ou rotundas... Era a recta mais rectilínea que alguma vez observara e parecia que não tinha fim. A dor começava a tomar conta das minhas pernas e o ar teimava em não percorrer os meus pulmões. Dobrei-me sobre os meus joelhos tentado recuperar o folêgo, inspirando profundamente e expirando lenta e vagarosamente. Levantei as mãos dos joelhos e endireitei-me. Olhei para a frente a tentar perceber se aquele longo túnel alguma vez teria saída. Os meus olhos arregalaram-se automáticamente. O meu coração começou a bater ainda mais forte e descompassado tornando a minha respiração ainda mais difícil. Sentia um formigueiro a subir-me pelas pernas e a minha cabeça andava às voltas como se eu tivesse acabado de sair de um carrossel louco. A minha visão turvava de segundo para segundo e tudo o que dantes era colorido tornava-se agora neutro, passando do tom claro à escuridão total. Quando abri os olhos tinhas-me nos teus braços, os teus olhos preocupados fizeram o meu coração retraír-se, tentava falar mas as palavras não saíam. Sentaste-me ao de leve no meio da estrada e colocas-te o teu dedo sobre os meus lábios para que nada mais pronunciasse. Sentaste-te e colocaste-me no meio das tuas pernas, com a cabeça sobre o teu peito molhado e eu atentamente ouvia o teu coração e finalmente desfrutava do abraço que à tanto precisava. Puxaste-me gradualmente para trás, olhaste-me com os teus profundos olhos de avelã e aproximas-te os teus lábios do meu ouvido «Nunca te vou deixar»... Respirei de alivio! Voltas-te a olhar para dentro dos meus olhos verdes e aproximas-te a tua boca da minha e enquanto a tua lingua tocava na minha o mundo tornava-se perfeito e aos poucos tu fazias-me tua.

30 comentários:

  1. Obrigada querida : D
    Eu acredito que sim, pode custar mas cura. /:

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  2. Obrigada pela força querida *)
    A serio +.+

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  3. :$.. cada vez os teus textos sao melhores..

    Gosto de ler, e de sentir cada palavra..

    :$

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  4. Obrigada querida.
    Está tão lindo o teu texto :)

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  5. . pois, mas eu ainda não sei se essa gaveta devia ter permanecido fechada ou se fiz bem ao abri-la :x

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  6. . o meu maior receio é que o lado negro desse passado se volte a repetir :x

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  7. haha, de nada. :b
    obrigada. $:
    já agora, sabes quando é que sai o quarto livro da academia de vampiros? o.o

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  8. . só quando for capaz de conseguir perceber os sentimentos dele ao ler nas entre-linhas das suas palavras ...

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  9. haha, é lindo. $:
    só é pena o terceiro acabar daquela maneira. :x

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  10. . pois, eu até dou, mas o problema é que já sofri durante 3 meses por causa dele, tenho medo que volte a acontecer :x

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  11. desculpa, mas isto até é engraçado, a maior parte das pessoas não lê o mesmo tipo de livros que eu. (a)

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  12. . pois, isso até é verdade, e na realidade, mais vale sofrer do que viver para sempre na incógnita de não ter lutado ...

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  13. exactamente, é como se fosse um mundo só nosso. o:
    sim, já li esses todos, incluindo alguns livros do nicholas sparks, e alguns "normais". :b

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  14. . o problema é que eu acho que posso ser verdadeiramente feliz do lado dele, mas não sei se ele quer o mesmo :x

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  15. eu também acho ; aliás agora nada me trás as respostas as minhas perguntas , é desesperante querida :s

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  16. . o anónimo é do que acabou comigo à uns dias ... o que estamos a falar é outro namorado que tive, antes desse, e que eu esqueci enquanto andei com ele mas que agora voltou aos meus pensamentos :x

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  17. . mas nós voltamos a falar à poucos dias, eu primeiro quero que a cúmplicidade volte, talvez estar com ele, olha-lo nos olhos, interpretá-lo e depois sim, dizer o que me vai no coração

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  18. . é o que vou fazer, espero que aconteça o que eu tenho sonhado :$

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