sábado, 5 de março de 2011

Sussurro ao mar #34



Tiago saiu apressado em direcção ao hospital deixando-me em casa sozinha com as meninas. Como elas eram calminhas não iriam haver quaisquer problemas. Deitei-me na chaiselong que havíamos colocado perto dos berços das meninas. Estava tão cansada fisicamente que sentia que se caísse no sono iria ser difícil de acordar. Fechei os olhos por uns instantes; as meninas dormiam e se elas acordassem eu ouviria. Sentia o sono límpido e calmo que me chegava; deixei-me levar por ele... Através do sono chegava o sonho, um sonho escuro onde tudo o que se ouvia era o choro sufocado de um bebé. A minha aflição de mãe começou a surgir e exaltada procurava de onde chegava aquele som. Sentia-me perdida no meio daquela escuridão. Escuridão esta que não me permitia sequer ver um palmo à frente dos olhos. Escuridão esta que me aterrorizava e afligia. Acordei sobressaltada ao perceber que todo aquele choro sufocante não fazia parte do sonho mas sim da pura realidade. Corri para Ariana que mexia os pequenos bracinhos e chorava já sem conseguir respirar. As lágrimas desciam agora pelo meu rosto e o meu coração batia forte com o medo. Liguei para o 112 e cinco minutos depois a ambulância havia chegado. Começaram a ventilar Ariana para que os seus pulmões não ficassem despromovidos de ar e no caminho para o hospital, com Anita ao colo, liguei a Tiago exaltada e a chorar desalmadamente.

- Amor, o que se passa? Porque é que estás a chorar? Passa-se alguma coisa com as meninas? - Perguntou preocupado.
- É a Ariana amor. Adormeci por uns momentos e quando acordei ela estava sufocada no próprio choro com os bracinhos no ar como em pedido de ajuda. É tudo por minha culpa, nunca deveria ter adormecido - disse enquanto o meu choro se intensificava. - Chamei uma ambulância, estamos a caminho do hospital. A Anita está a dormir sossegadinha. Por favor, anda ter connosco...
- Eu estou a caminho, eu estou a caminho. Tem calma que vou para a vossa beira - e desligou o telemóvel. Percebi pelo tom da sua voz que estava tão nervoso e com tanto medo como eu. Algumas das suas hesitações mostraram-me que as lágrimas também o ameaçavam.

A ambulância parou à porta das urgências e uma médica nova acompanhada por uma enfermeira de meia idade correram na nossa direcção. Após trocarem algumas palavras com os paramédicos levaram Ariana para dentro e eu corri com Anita atrás delas.

- A mãe tenha calma. Nós já vimos trazer-lhe novidades. Sente-se aqui um pouquinho. Alguma coisa que precise dirija-se aquela senhora ali - disse carinhosamente.

Sentei-me nervosa ansiando a chegada de Tiago. Os meus olhos estavam fixos na porta, as minhas lágrimas continuavam a cair pouco acolhedoras. Uma senhora observava-me com pena a saltar-lhe do olhar; era a senhora que a médica me havia indicado anteriormente. Ela dirigiu-se a mim:

- A menina necessita de alguma coisa? Talvez um copo de água com açúcar? - Perguntou amavelmente.
- Se não se importar eu agradecia muito.
- Não é incomodo nenhum minha querida, eu volto já.

Os meus olhos voltaram-se para a porta novamente inquirindo-se se Tiago ainda se demoraria. Eu estava nervosa, precisava que ele me abraçasse. Anita continuava a dormir sossegadinha, mas pouco deveria faltar para que acordasse pois estava quase na hora de ela comer. Tiago entrou a correr pelas portas do hospital e vendo-me senti a aflição no seu olhar. Ajoelhou-se a meu lado e acariciou Anita.

- Como é que ela está?
- Não sei - disse chorando com mais intensidade - a médica levou-a lá para dentro. Vieram a ventila-la na ambulância. Amor - retorqui quase sem fôlego - tenho medo. - Ele abraçou-nos ás duas e as lágrimas começaram a correr pelo seu rosto.

A senhora voltava agora com o copo de água. Tiago sentou-se na cadeira ao meu lado e segurou a minha mão junto da dele.

- Aqui tem a águinha minha querida. O senhor é o pai da menina? Não se preocupem. Os melhores médicos do país estão neste hospital e tenho certeza que irá correr tudo bem - informou-nos virando as costas com um sorriso aprazível no rosto.

Peguei no copo e só aí reparei no quanto as minhas mãos tremiam. Não confiava na minha força por isso entreguei Anita nos braços de Tiago enquanto tentava que aquela água açucarada me acalmasse. A médica chegava agora perto de nós. Parecia calma e tranquila. Será que isso queria dizer que não haviam motivos para preocupações ou que este era o rosto que todos os médicos ostentavam, sendo a notícia boa ou má?

- Podem me acompanhar se fazem favor. Precisamos de conversar. Vou levar-vos até à vossa filha.

Seguimo-la por aqueles corredores neutros que sempre me atemorizaram. Pela janela vi Ariana ligada ás máquinas. Nesse momento o meu coração disparou e o meu choro intensificou-se cruelmente. Coloquei as minhas mãos na janela numa tentativa de chegar perto da minha menina pequenina. A dor que o meu coração sentia era a mais cruel que alguma vez tinha experimentado. As minhas forças escapuliam-se pelo meio dos meus dedos. Tiago abraçou-me e manteve-me debaixo do seu braço para que eu me segurasse e não caísse...

Continua...

10 comentários:

  1. Ai a pequenina :0
    Eu começo a gostar dele e não gosto de estar longe :|

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  2. Tadinha da pequena!Nossa levei um susto!
    :O
    Desculpa a demora por vir aqui, querida!Sumi por uns tempos, mas agora pretendo ser mais assídua por aqui!
    bjinhos
    Como sempre, adoro!
    :D

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  3. Oh fofinho da minha vida :|
    Não fiques assim...

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  4. Oh querida que lindo! tens que dizer o que vai acontecer... Beijo

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  5. Que lindo minha linda!
    irei aguardar o proximo post.
    escreves muito bem querida :D

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